ENVELHECIMENTO POPULACIONAL BRASILEIRO NO CONTEXTO INTERNACIONAL

As transformações mencionadas nas linhas anteriores, mostram, principalmente, o processo de envelhecimento da população brasileira. Nesta seção, o mesmo será analisado mais detalhadamente, considerando o volume e a intensidade do mesmo dentro do contexto internacional.

Com relação à intensidade, se utilizará a variação no tempo do Índice de idosos (II). Ele é definido como a razão entre os maiores 65 anos e os menores de 15 anos de idade e sua evolução relaciona-se diretamente ao processo de envelhecimento populacional. O Índice de Idosos é de fácil interpretação e altamente sensível às variações na distribuição etária causadas por declínios na fecundidade, como no caso brasileiro.

A Tabela 2 retrata a evolução provável da população de idosos, do seu peso relativo e do Índice de Idosos do Brasil, do conjunto dos países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos e de algumas Regiões selecionadas. Os dados apontam a existência de mundos distintos no que tange à população idosa: um deles, composto pelos países menos desenvolvidos, no qual o número de idosos é elevado, mas o seu peso é relativamente pequeno. O outro, formado pelos os países mais desenvolvidos, no qual o tamanho absoluto da população idosa é menor, mas é elevada a participação relativa do grupo no total da população. Nos menos desenvolvidos, os maiores de 65 anos de idade em 2000, eram aproximadamente 250 milhões mas correspondiam a apenas 5,1% da sua população total. Nos mais desenvolvidos, este contingente atingia 170 milhões mas representava 14,4% da sua população total. Enquanto, em 1950, a população idosa dos países menos desenvolvidos era praticamente igual à dos mais desenvolvidos (60.6 e 64.2 milhões respectivamente), em 2050 passaria a ser quase quatro vezes maior (1,2 bilhões contra 300 milhões).

Ressalte-se, ademais, a velocidade em que a estrutura etária das regiões que iniciaram a transição demográfica envelhecerá, o que é o caso para América Latina e o Sudeste Asiático. Tomando-se 1950 como base de comparação, estas Regiões apresentarão um rápido processo de envelhecimento, multiplicando a sua população idosa em mais de 20 vezes. O Índice de Idosos (II), que em 1950 apresentava valores abaixo de 10 idosos por 100 jovens para ambas regiões, situar-se-ia em torno de 100 idosos por 10 jovens, em 2050. Manter-se-ia, no entanto, a ampla distância com relação ao envelhecimento atingido pela Europa, na qual haveria significativamente mais idosos do que jovens. Em suma, quanto ao processo de envelhecimento entre 1950 e 2050 medido pela variação do Índice de Idosos, ele seria mais rápido nos países menos desenvolvidos do que nos países mais desenvolvidos: o Índice de Idosos aumentaria em 617% e 486%, em cada caso respectivamente.

Com relação ao Brasil, a Tabela 2, mostra que este deverá apresentar, entre 2000 e 2050, se comparado com o conjunto de países de América Latina e Caribe: um crescimento similar na proporção do número de idosos (em torno de 385%); um maior aumento relativo na proporção de idosos (249% contra 211%, para América Latina) e um maior aumento relativo, também, no Índice de Idosos (313 contra 286% para América Latina). Esta aparente contradição se deve ao fato de que o número absoluto de idosos em 2050 será menos afetado pelo momento do início e o ritmo do declínio da fecundidade observados na Região e no Brasil, do que os outros dois indicadores. Os dados apontam para um processo mais rápido de envelhecimento da população brasileira, do que o da Região, como um todo.

Tabela 2 – População de 65 anos e mais, Proporção de Idosos e Índice de Idosos, para o Brasil e Regiões selecionadas do Mundo – 1950-2050

Dados básicos de: United Nations (1999)

(*) Ver nota explicativa anterior

Adicionalmente, a se aceitar as projeções das Nações Unidas, em 2050 o Índice de Idosos do Brasil (93) ainda seria bem menor do que aquele da Europa Ocidental (186) e do Sudeste Asiático (115). Aliás, nesta última Região, o processo de envelhecimento seria espantoso entre 2025 e 2050, quando seu Índice de Idosos passaria de 37 para 115 idosos por cada 100 jovens.

Por último, segundo as projeções das Nações Unidas (United Nations, 1999), o processo de envelhecimento da população nacional, medido pela evolução do Índice de Idosos inscrever-se-ia entre os mais intensos, se visto no período 1950-2050. Estes dados caracterizam o Brasil, entre os 35 países mais populosos do mundo, como o 4° mais intenso processo de envelhecimento, após a República da Coréia, Tailândia e Japão. No período de um século, o Brasil multiplicaria em 12 vezes o seu Índice de Idosos, a República da Coréia 21 vezes, a Tailândia, 19 e o Japão em torno de 16 vezes (Veja a Tabela A2, em anexo).

No Gráfico 5, a evolução do Índice de Idosos do Brasil, entre 1950 e 2050, é comparada com a da República da Coréia, Japão, Espanha, Estados Unidos e a Republica Democrática do Congo (correspondendo ao primeiro e ao último, os processos de envelhecimento mais intenso e mais lento, respectivamente, entre os 35 países mais populosos em 2000).

Gráfico 5 – Brasil e Países Selecionados – Números Índices de Base Fixa do Índice de Idosos – 1950-2050

 Fonte dos dados: Tabela A2.

 A maior velocidade do processo de envelhecimento da população brasileira contrasta com aquela observada entre os países já envelhecidos nos quais a transição da fecundidade a níveis baixos iniciou-se bem antes e deu-se num período de tempo maior. Consequentemente, nestes países os ajustes institucionais e as transformações sociais e econômicas necessárias à adequação de uma população mais velha puderam se dar em um intervalo temporal mais longo.

http://www.fundaj.gov.br/tpd/117a.html

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